terça-feira, 14 de outubro de 2014

EU JÁ SABIA

Há algum tempo atrás quando entrei para o grupo Itabaiana Grande. toda foto antiga que eu conseguia e achava que poderia contribuir aos propósitos do Grupo, eu corria a uma digitalizadora que tem aqui perto de casa, com a foto e o meu pen-drive, para assim poder postar no Grupo. Apesar de ter uma impressora que digitaliza, escanea, tira cópia, eu não sabia como fazê-lo,ou seja, não sabia comandá-la do computador: depois é que aprendi. Liguei para o técnico e ele me disse que era porque ela (a impressora) era wireless. Voltando a digitalizadora que ia, eu pagava um real por cada foto, e sempre quem me atendia era um senhor, o dono. Ele abriu uma pasta no meu pen-drive só para colocar essas foto antigas. Um belo dia, cheguei com mais uma foto, e a esposa dele falou: _ Deixa que eu faço. Até ai tudo normal, ela fez mesmo, só que colocou a foto em outro lugar, não colocou na pasta. Quando perguntei se ela tinha colocado na pasta de fotos antigas, ela partiu com quatro pedras na mão, numa grosseria sem medida! _ Por que não falou antes? Agora vai ficar onde está. Eu me aborreci, falei pra ela colocar na pasta e ela disse que não faria. A foto só foi para a pasta num outro dia, que fui com outra fotografia, e o marido dela que tinha presenciado tudo apático, colocou a bendita foto dentro da pasta, como eu queria, sem eu nem pedir. Desde esse dia porém, todas as vezes que nos encontramos, ela me olha com um olhar de mira telescópica de rifles de longo alcance, daquele que matou John Kennedy, querendo me fuzilar. Esta semana, resolvi colocar em suas mãos, os instrumentos necessários para que sua raiva aflorasse, para que colocasse para fora aquele sentimento ruim, para que ela se vingasse. Sai para vender o meu livro Alma Branca e decidi entrar na loja dela, mesmo sabendo qual seria o resultado. Mas, eu queria fazer aquilo, respirei fundo e entrei, me dirigi à sua mesa, a cumprimentei, fiz a apresentação do meu livro e o ofereci a ela. Pude ver no seu rosto o sorriso da glória, a nuvem escura da vingança, a realização plena de uma vontade antiga! Ela olhou para mim, como a dizer: te peguei! E falou: _No momento não estou interessada, não vou querer, quem sabe em uma outra oportunidade. Eu senti a sua satisfação em me dar um sonoro não. Eu agradeci sua atenção e me retirei com o meu livro Alma Branca e a minha alma lavada! Com a sensação de missão cumprida, ela jamais saberá que eu "já sabia" que seria aquela a sua resposta. Sutilmente lhe proporcionei a sua vingança e o meu livramento. Acho que nunca mais sentirei seu olhar de mira de rifle de longo alcance, daquele que matou John Kennedy a querer me fuzilar! Considero um mal entendido resolvido a contento para ambas as partes, três anos depois. Ela ficou lá com o seu sorriso Monalisa, no cantinho da boca, com a sua vingança pequena, satisfeita da vida sem imaginar jamais que eu criei a situação ideal, que eu proporcionei a ela se livrar daquela raiva que só faz mal ao coração. Eu poderia muito bem não ter ido lá. Nesta tarde, dos oito livros que levei, voltei com apenas dois. Foi uma tarde bastante proveitosa, inclusive e principalmente pela experiência com a senhora da la house. Estou ansiosa pelo nosso próximo encontro, que para mim, é imprevisível. Porque este que acabei de contar para vocês... Eu já sabia !

Um comentário:

  1. Você é uma mulher de fibra, ela foi quem perdeu a oportunidade de aprender como se tornar uma pessoa diferente, melhorar sua evolução. Azar o dela.
    Parabéns Carminha.

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