quarta-feira, 16 de abril de 2014

SUI GENERIS (ÚNICA NO GÊNERO)

                                                               Sui Generis (Única no Gênero)

Esta é mais uma história pitoresca de personagens itabaianenses, que aconteceu no início da década de 70. Podia tranquilamente fazer parte dos causos de Itabaiana, contados pelo amigo Baldock nos seus livros publicados, o primeiro em 2004- Causos de Itabaiana Grande e o segundo em 2013-  Itabaiana Grande, seus Causos e Mais. Essa parte da nossa história social, cabe  a ele (Baldock),contar.

Mas, atrevo-me a fazer aqui esse registro.

Inicio agora:

Como já disse anteriormente no início da  década de 70, exatamente em 1971, mais precisamente na praça de Santa Cruz, atual Joao Pessoa existia um ponto de taxi que existe até hoje.

Faziam parte desse ponto- aproveito a oportunidade para destacar essa classe de trabalhadores laboriosos,os taxistas, e prestar-lhes uma homenagem aqui, aqueles que sempre contribuiram para o desenvolvimento da nossa Itabaiana Grande- mas,como estava dizendo, faziam parte desse ponto, seu Marinho,Beto ( pai de Zé de Beto,do professor do CEMB, Tuíca e pai do Marcos), Flávio(pai de Angélica,Vera, Fátima e Lourinho entre outros), Cristóvão (filho de seu Abdon e irmão do taxista Neto e do hoje taxista Autran, e irmão de Papinha).

O outro taxista desse ponto da praça Jõao Pessoa, é a personagem central desta nossa história e autor do feito que inspirou esta crônica. Era um senhor simpático, alegre, e chamava-se Paulo de Gonçalo. Irmão de Gilberto que tinha um escritório de contabilidade e foi funcionário da Exatoria de Itabaiana,e irmão de Severo, que era pedreiro por profissão.

Paulo, após ficar viúvo da primeira esposa,(Suçula),casou pela segunda vez com Maria que era sobrinha de Suçula, e passou a ser conhecida como Maria de Paulo.


Paulo de Gonçalo era padrinho do meu irmão Toninho e as nossas famílias conviviam muito, fazíamos viagens a passeio juntos.
Nos fundos da casa de Paulo que dava para a praça João Pessoa, sendo a frente para a hoje rua Barão do Rio Branco, funcionava um bar e sorveteria de Paulo, ainda hoje, no mesmo local, funciona uma sorveteria, de outros donos.

Paulo e Maria tiveram apenas uma única filha que se chama Eliana.

Paulo de Gonçalo como todo comerciante de Itabaiana, arrojado e corajoso comprou um Dodge Dart da Chrysler, novinho em folha (zero bala como fala meu genro Alex), estalando de novo, na concessionária do "sujeito" Oviedo Teixeira e trouxe o carro para Itabaiana, reluzindo sem ser ouro,e cheiroso e durinho que nem mulher nova (segundo falava Zeca Mesquita), numa estrada sem pavimentação, com barro seco e pedrinhas soltas, que batiam toda a viagem, embaixo e nas laterais do Dodge Dart.

Agora vocês dirão: _ E daí? Qual é o problema?

Nenhum problema se Paulo ao chegar em Itabaiana guardasse sua belezura de Dodge Dart na sua garagem para uso particular, para sair com a família.
Problema algum se dias depois Paulo não emplacasse o carro de luxo com a placa vermelha de taxi e não o colocasse no ponto para ser alugado! Era um espanto geral, colocar um Dodge Dart, azul celeste metálico, um carro fabricado  nos Estados Unidos pela divisão Dodge da Chrysler, concorrente direto do setor luxuoso do Ford Galaxie e do esportivo Ford Maverick, para carro de praça!

Imaginem o alvoroço que causou, na então pacata Itabaiana!

Todos só queriam alugar o Dodge Dart de Paulo de Gonçalo!

Se era baile em uma cidade vizinha, em Ribeirópolis, Frei Paulo, Campo do Brito, era o taxi de Paulo que levava a rapaziada!

Se era um jogo de futebol de salão em Penedo-Al, era o Dodge Dart do Paulo que levava os atletas!

Depoimento de um dos jogadores do time de futebol de salão: "Nós parecíamos uns reis, chegando em Penedo naquele carro, todo mundo olhava!"

Imaginem, um carro de luxo, novinho, como carro de praça, o que as pessoas não se espantavam!

Eu me lembro de um domingo à noite que viemos, Paulo e sua esposa Maria e a filha Eliana, minha mãe e eu e mais duas amigas, Detinha filha de seu Gentil alfaiate e Zefa que trabalhava como faxineira(hoje diarista). Viemos dar um rolezinho ( naquela época rolezinho era um passeio, uma voltinha, agora é quebra- quebra).

O meu irmão Toninho estudava em Aracaju, no Atheneu,  e encontramos com ele lá na rua
 João Pessoa. Ele estava com alguns colegas de sala

Vou transcrever para vocês o que ele me falou, quando fiz perguntas, procurando informações, para embasar essa minha  crônica.

Ele falou: " Foi em 1971.Com certeza um domingo à noite. Naquela época a rua João Pessoa era igual a nossa praça Fausto Cardoso, era o ponto de encontro dos jovens, uma espécie de quem-me-quer.

Me lembro que quando  meu padrinho passou,todo mundo olhou espantado, um carro de luxo como taxi! Lembro-me que um colega do Atheneu  não  se foi Manoel (futuro coordenador dos concursos vestibulares da Universidade Federal de Sergipe), ou se foi João Alberto( futuro médico pediatra e dono da clínica infantil Baby Help),ou se foi Iram ou Everton. Um deles ficou chateado, pois um tio dele que tinha posses tinha um carro daquele para passear com a família! Ele frisou bem que o tio dele era dessas pessoas, "que tem bala na agulha".

Como eles não tinham visto a placa do carro quando meu padrinho passou eu levei-os à praça General Valadão, a do Hotel Palace,e mostrei a placa de Itabaiana e apresentei o meu padrinho a eles.
A partir daí criou-se entre os meus colegas de sala, a fama de ser Itabaiana um lugar de gente caprichosa e de poder aquisitivo.

No início da década de 70, apesar de vivermos sob o regime de uma ditadura militar, os jovens iam às ruas, como a João Pessoa, para se divertir,papear, paquerar.
Nos anos 70 o Hotel Palace era nosso cartão postal, era um luxo de hotel, os cines Palace, Rio Branco e Vitória se dividiam na apresentação das melhores películas do mercado. Os cinemas eram cine- teatros e apresentavam shws ao vivi.
O centro de Aracaju era um verdadeiro  Complexo de lazer a céu aberto! Tinha, além dos tres cinemas, as sorveterias Iara e Cinelândia (cada uma a seu tempo), tinha o Cacique Chá (restaurante fino de clientela requintada),tinha a Charutaria e Bombonieri Chic (com clientela seleta), o Hotel Palace funcionava a todo vapor, no cruzamento da rua Joao Pessoa com Laranjeiras tinha o ed. Mayara onde funcionava no térreo a fina loja A Moda,referência em roupas e acessórios de luxo da capital.
A Jovem Guarda fazia um sucesso retumbante! E a rua João Pessoa era a nossa rua Augusta, nos quesitos charme,beleza e azaração aos domingos à noite.

E foi nesse cenário de encanto e beleza, que o Dodge Dart de Paulo de Gonçalo, taxi de luxo, com placa de Itabaiana, fez o maior sucesso! No dia seguinte o colega do meu irmão espalhou para todo o Atheneu, o que ele viu no domingo à noite na rua João Pessoa, e concluiu:
_ Só podia ser de Itabaiana!

No que eu concordo plenamente:

Só, só podia ser de Itabaiana! A Grande!


São homenageados por essa crônica, todos os taxistas ceboleiros, em  todos os tempos!
Citarei alguns: Pedro Góis, Zé de Beto, Lapada, Geoba, João Mamão Verde, Autran, Ronaldo,Paulo, Marcelo, e todos que não foram citados, estão sendo homenageados!
Fotografia do acervo pessoal da autora.Nela estão o taxista Paulo de Gonçalo,sua esposa Maria, a filha Eliana, minha mãe Hilda, Zefa a diarista e Detinha.

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