quinta-feira, 6 de março de 2014

O Quem-Me-Quer da Praça Fausto Cardoso Em Itabaiana-SE(Crônica)

Especialmente para Tereza Cristina Pinheiro, Fátima Siqueira, Reynolds Alves dos Santos, Manoel Rezende dos Santos e tantos outros que viveram aqueles velhos tempos, belos dias-anos 70!
Publicada no Facebook, no grupo Itabaiana Grande em 27/04/2012.

                     O Quem-Me-Quer da Praça Fausto Cardoso em Itabaiana-SE

Em tempos de namoros virtuais, em que se marcam encontros pela internet, que muitas vezes se transformam em uma cilada e não um encontro de pessoas buscando um relacionamento.

Fico a imaginar, o que leva uma jovem a ter a coragem de se arrumar, sair de casa sem falar pra ninguém aonde vai, para se encontrar com alguém que nunca viu, que só conhece pela internet! Às vezes esses encontros que no mínimo  deveriam ser marcados para um local público como uma praça de alimentação de um Shopping Center, o ideal seria que a jovem não comparecesse sozinha,que procurasse ir acompanhada e que não saísse à sós  com o provável namorado nesse primeiro encontro. Sabe-se lá quem está do outro lado da telinha! Pode ser qualquer um , capaz de atos de toda natureza. Pode ser mesmo um interessado num namoro, como também pode ser e não raro tem acontecido, um potencial estuprador, um assassino!

Que saudades do nosso quem-me-quer, no rinque,sim,era esse o nome que chamávamos a calçada que contornava toda a extensão da praça Fausto Cardoso, a praça da matriz de Santo Antônio e Almas de Itabaiana-Se. Eh pessoal que viveu sua adolescência nas décadas 70,80? Que lembrança boa, né não? Cem por cento seguro, todo mundo se conhecia, era o "nosso" Shopping  a céu aberto, baratinho, baratinho!

À partir  das 19hs. dos quatro cantos da praça da matriz, de Itabaiana Grande, afluiam jovens, e a paquera rolava solta.Vocês jovens de hoje, não conseguem imaginar como aquelas voltas e mais voltas ao redor da Fausto Cardoso tinha de encanto e magia.
Era lá que os encontros aconteciam. Sem nenhuma desconfiança de quem fosse e o que o outro queria realmente!

Conhecíamos a família, os irmãos, os pais, de quem eram vizinhos, a turma que pertenciam no Colégio Estadual Murilo Braga, a sala em que o pretendido(a), estudava. Todos nós estudávamos lá! Um pré  contato já tinha sido feito, através de um recadinho, de um bilhete, ou mesmo ao próprio ouvido, durante a matinné dançante na Associação Atlética de Itabaiana que ficava logo ali, do outro lado da rua.

Quando chegava às 20 hs aquele rinque fervilhava de jovens,as turmas de amigos,todos de cara limpa, grupos grandes,outros pequenos,era uma festa! Podia acontecer de dois estarem interessados na mesma garota. Aí a disputa era acirradíssima, mas tinha ética. Depois que a escolha era feita, era respeitada a decisão e o que "sobrou" ia cantar em outra freguesia! Era um tempo em que a sinceridade das intenções era verdadeira. Daqueles bancos, daquela praça, saíram a maioria dos namoros e casamentos de toda uma época.Estou mentindo, pessoal? Pessoal hoje é galera!

Vou explicar como funcionava:

Você tinha que "arrudiar", ou dar a volta na praça, no sentido oposto ou inverso de quem estava paquerando.A cada volta quando ia chegando o momento do teti a teti, dava dor de barriga, uma friagem por dentro, tremedeira nas pernas, a gente falava que estava tremendo mais que vara verde,as mãos suavam a cântaros, o coração parecia que ia sair pela boca, e, no momento em que um passava
pelo outro era um olho no olho marcante, daqueles olhares que falam,e os colegas de ambos conspiravam alcoviteiramente para que os dois passassem um ao lado do outro, às vezes até rolava
uma mão na mão. E até o próximo encontro ,na próxima volta!

Vocês conhecem o tamanho da praça Fausto Cardoso? Pensem na ansiedade e às vezes decepção quando se descobria que o outro já tinha ido pra casa!

A paquera durava semanas até que se iniciasse um namoro mesmo. Às vezes juntavam turmas enormes,que conversavam sobre tudo, família, o jogo do Tremendão que tinha sido à tarde ao qual todos tinham ido assistir, alguma prova que teríamos naquela semana,alguém que se hospedaria na nossa casa nas férias e até de namoro. Só não tinha drogas! Tinha pipoca, rolete de cana, picolé, balas de hortelã,chiclete pimg-pong. Era muito bom,bom demais! Às 22hs, estava todo mundo em casa.

Não  existia exibição de Shinerais, nem ninguém fazendo racha com carros, muito menos sons de carros a todo volume.

Que me desculpem os mais novos, vocês são massa, mas acho  que usávamos melhor a inteligência que todos nós temos. Batíamos altos papos, ouvíamos música de qualidade,trocávamos experiências e saberes com amizade e cumplicidade. Ninguem era melhor que  o outro. Ninguém era racista e nem preconceituoso. Éramos nós mesmos, e valíamos  exatamente pelo tipo de pessoa que éramos e não pelo dinheiro que tínhamos.

Nas voltas que o mundo deu, os costumes foram se degradando pouco a pouco.

Interesssante que todos concordão que o progresso é bom. Mas, quanto mais modernidade e progresso, mais a vida piora e fica complicada.





                            

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. É Maria do Carmo, você traduziu exatamente nossos sentimentos, desejos e vontades. A espera pelos finais de semana, a missa como desculpa (que Deus nos perdoe) para que pudéssemos ficar mais tempo e usufruir do burburinho que tomava conta daquele pedaço de paraíso, e a nós passava despercebido, sem nos darmos conta da importância que aqueles momentos teriam na construção dos nossos valores como pessoas, amigos, amantes, profissionais, etc.
    Conhecemos casais que tiveram sua história (ainda que um pedacinho) vivenciada ali, naquelas voltas, naqueles bancos, que já não são os mesmos, obvio, e que continuam se amando até hoje.
    Bom seria se, ainda que por algumas horas, tivéssemos a oportunidade de voltar, não para refazer a história (talvez para alguns sim, nunca se sabe), mas para usufruirmos mais um pouquinho daquelas voltinhas, que o tempo insistiu em levar...
    Parabéns por seu belo texto!

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    1. Obrigada pelas palavras sempre carinhosas que reserva para mim Mazé,minha amiga. Você é dessas pessoas que a gente gostaria de ter conhecido antes.Bjs

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